[:pt]Brasil[:]

[:pt]

Brasil: Notícias de 01/04/16 a 15/04/16.

No Brasil, ativistas acusam o governo de não discutir atualização de tratamento contra a AIDS. A queixa deve-se a que desde 2013 o Consenso Terapêutico, grupo que discute as possibilidades de tratamento, não se reúne. Jorge Beloqui, do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), explica que o tratamento atual está ultrapassado:

“Desde 2015, países como Estados Unidos e Espanha mudaram suas diretrizes terapêuticas e passaram a incluir os inibidores de integrase como primeira opção de tratamento. O último protocolo da Organização Mundial da Saúde também inclui inibidor de integrase como alternativa na primeira linha”.

Fábio Mesquita, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, alega que o preço dos tratamentos é um dos motivos por que o protocolo mantém-se ancorado no atual 3 em 1. Veriano Terto, da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), contrapõe a postura de Mesquita:

“A justificativa não pode ser o preço do remédio. Na história da AIDS, as drogas sempre foram caras, mas, com boa vontade, negociação e o uso da lei de patentes é possível negociar preços e garantir o melhor tratamento para pessoas soropositivas”.

Veriano tem razão: o preço não é justificativa. O preço de muitos medicamentos poderia ser muito, muito menor sem prejudicar o investimento das farmacêuticas. O Brasil conseguiu negociar um medicamento que nos Estados Unidos é vendido a mais 80 mil dólares por cerca de 9 mil e quinhentos dólares por paciente por curso de tratamento – e mesmo assim o valor é várias vezes maior do que o que uma produtora de genéricos indiana cobraria com uma margem de lucro aceitável.

Ativistas acusam governo de não discutir atualização de tratamento contra a aids. Governo responde que atual protocolo tem dado certo; http://agenciaaids.com.br/home/noticias/noticia_detalhe/24738#.VwkZIKQrKUk.

Enquanto no campo da AIDS a discussão sobre o acesso a novos tratamentos não acontece, ela vem sendo ativa e assustadoramente acelerada no tratamento do câncer. O Senado aprovou, e a Presidente sancionou, lei que autoriza o fornecimento da fosfoetanolamina, atropelando a autoridade da ANVISA no processo. Isso mesmo: mesmo sem autorização da agência de vigilância sanitária, mesmo sem testes completos de segurança e com resultados pouco promissores em exames preliminares, pacientes em estado grave poderão fazer uso da pílula. A rápida reação do Parlamento é comparável a demandas por redução da maioridade penal ou recrudescimento de penas quando algum caso de violência chama a atenção da grande mídia: oportunismo político sem fundamento no interesse público e com poucas chances de resolver o problema.

Senado aprova ‘pílula do câncer’ após resultado negativo em teste; http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/03/1752997-senado-aprova-pilula-do-cancer-apos-resultado-negativo-em-teste.shtml.

Palácio do Planalto sanciona lei que libera a pílula do câncer; http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/2-palacio-do-planalto-sanciona-lei-que-libera-a-pilula-do-cancer/.

Em uma última nota um pouco mais positiva, o mercado farmacêutico nacional prevê crescimento. Com a expiração das patentes de uma série de medicamentos, companhias produtoras de genéricos esperam receita extra de 615 milhões de reais por ano. A notícia destaca um ponto interessante: com a crise econômica, mais consumidores passam a escolher genéricos – eles entram no mercado com um preço em média 40% mais baixo. Não é de se espantar: com o fim do monopólio que a patente dá, os preços baixam em função da concorrência no mercado. Por isso que as companhias farmacêuticas se esforçam muito para garantir o atraso da expiração das patentes.

Fim de patentes pode inflar receita de fabricantes de genéricos em R$ 615 mi; http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/negocios/20160406/fim-patentes-pode-inflar-receita-fabricantes-genericos-615/359660.

[:]

Print Friendly

Qual a sua opinião sobre isso?

Receba as novidades da UAEM Brasil!Entrar na lista de e-mails
+ +
%d blogueiros gostam disto: