Destaque

Saúde e inovação: Giro de notícias

Alguns destaques do campo de saúde e inovação biomédica. Leia abaixo o post (5 min) ou escute a versão em áudio no nosso podcast abaixo (você também pode clicar aqui e baixar para ouvir mais tarde):

Marcha pela Ciência

No dia 22 de abril, cientistas brasileiros aderiram à Marcha pela Ciência e foram às ruas demandar um tratamento adequado para a ciência brasileira. Várias instituições participaram e convidaram seus membros a se juntarem ao movimento, incluindo o Fórum de Reitores do RN, a UFMG, a Sociedade Brasileira de Química e a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência.

Nos Estados Unidos, também, a Marcha teve intensa participação pela comunidade acadêmica – e não sem motivo: entre outras atitudes controversas, o governo Trump anunciou o plano de corte de 18% no orçamento do NIH (National Institutes of Health) para 2018.

Confira no vídeo abaixo Gloria Tavera, Presidente da UAEM na América do Norte, falando durante a Marcha pela Ciência nos Estados Unidos:

No Brasil a questão do financiamento é igualmente problemática, e foi o ponto focal da Marcha.

Com informações de:

Investimentos em CT&I

O desinvestimento público em pesquisa é preocupação crescente desde 2014, quando a parcela do orçamento federal dedicada à pasta de ciência, tecnologia e inovação começou a minguar. No entanto, o problema dos cortes em CT&I atingiu estado crítico no plano do governo atual. O orçamento atual do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), após um contingenciamento de 44% realizado a partir do montante definido na Lei Orçamentária Anual, é de 3,4 bilhões de reais, cerca de um terço do valor de 2013 e o menor em 12 anos.

Os efeitos já são sentidos concretamente, com pesquisadores deixando seus postos e universidades públicas para trabalhar em outros países. Sem investimento, não faz sentido permanecer nas instituições: nas palavras de Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, ao jornal Valor Econômico, as instituições “Não vão conseguir pagar nem os projetos já aprovados. Não sei como as migalhas vão ser distribuídas”.

O golpe é ainda mais severo levando-se em conta o caminho de crescimento recente. Ainda que estivéssemos longe dos almejados patamares de 2% do PIB investidos em ciência e 2 mil cientistas por milhão de habitantes, o Brasil atingiu a marca de cerca de 50 mil mestres e 17 mil doutores formados por ano.

Mesmo o atual Ministro, Gilberto Kassab, demonstra preocupação com o cenário, afirmando ser “solidário e testemunha de que a ciência brasileira carece de mais recursos”. O Ministro faz coro à meta de 2% do PIB para pesquisa e ciência, e em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI) defendeu que os parlamentares proponham projeto de lei impedindo o contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Com informações de:

Notas

O Patent Trial and Appeal Board (PTAB), corte estadunidense de recursos relacionados a matéria patentária, decidiu contra a farmacêutica Novartis e a favor de companhias genéricas em um caso envolvendo um medicamento oral para o tratamento da esclerose múltipla. O objeto da patente requerida pela empresa (U.S. Patent No. 8,324,283) foi considerado óbvio para um técnico da área e, portanto, não patenteável.

A decisão é importante, pois o medicamento tem um grande potencial terapêutico e de vendas: é o primeiro tratamento oral contra esclerose múltipla aprovado pelo FDA e tem um mercado anual de bilhões de dólares.

Com informações de:


O Medicines Patent Pool (MPP) assinou com a egípcia Pharco Pharmaceuticals um licença para o desenvolvimento do medicamento ravidasvir, para o tratamento da hepatite C. A licença cobre países de baixa e média renda e permitirá produção genérica pelos sublicenciados do MPP. O medicamento já está em fase de testes, em combinação com o sofosbuvir, realizados pela DNDi.

A notícia é bem-vinda, visto que a hepatite C crônica afeta 71 milhões de pessoas no mundo, com uma taxa de mortalidade que ultrapassa a malária e o HIV, e o acesso a tratamento ainda é problemático, em especial devido aos altos preços dos novos medicamentos disponíveis.

Com informações de:


A Drugs for Neglected Diseases Initiative (DNDi) lançou um programa chamado Open Synthesis Network (OSF) em que estudantes de química de graduação e mestrado de 5 universidades nos EEUU, Índia e Reino Unido contribuirão para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a leishmaniose visceral.

Segundo Ben Perry, Diretor de Pesquisa na DNDi:

“Ao invés de treinarem em alvos sintéticos mais tradicionais, como aspirina e paracetamol, os estudantes poderão produzir amostras de novos compostos relevantes para a pesquisa de ponta realizada pela DNDi na área de doenças negligenciadas”.

Uma iniciativa fortuita, tendo em vista a missão da DNDi de alavancar a ciência para atender às necessidades de saúde de populações negligenciadas no mundo todo.

Com informações de:


Conteúdo licenciado em CC BY-NC-SA

Sons utilizados no podcast: “Improvisation V”, Metyu,VKTRD & Ondro M., disponível aqui; “Hand Bells, A, Single”, Inspector J, disponível aqui.

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