Resumo da 68ª AMS

Estados-Membros (EMs) reuniram-se entre os dias 18 e 26 de Maio de 2015 para a Assembleia Mundial da Saúde (AMS). Este é um relatório dos principais destaques do fórum, conforme a percepção da Universities Allied for Essential Medicines (UAEM). O grupo de estudantes universitários que participou da Assembleia este ano foi composto por representações da UAEM desde a Europa aos EEUU, desde o Nepal até o Brasil.

A AMS incluiu em sua agenda, este ano, temas relevantes para o cenário global de acesso a tecnologias de saúde. Apesar de um início lento, em que muitas decisões acabaram sendo postergadas para dias e sessões posteriores, o ritmo foi se acelerando com o caminhar da semana. Os temas mais controversos foram o relatório do Consultative Expert Working Group: Financing and Coordination (CEWG) e o Global Strategy and Plan of Action on Public Health, Innovation and Intellectual Property (GSPoA), ambos discutidos nas comissões oficiais na sexta-feira (22/05) e dias subsequentes.

Além disto, países de todo o espectro econômico ressoaram preocupação em evitar que epidemias como a do ebola em 2014 voltem a tomar a Organização Mundial da Saúde (OMS) de surpresa; e em tratar da crescente ameaça global da resistência anti-microbiana (AMR, na sigla em inglês).

As sessões paralelas e eventos organizados pela sociedade civil também acrescentaram significativamente ao debate. Desde licenciamento compulsório e de-linkage até AMR e ebola, foram o palco de discussões mais livres entre organizações não-governamentais e delegados dos países.

O primeiro dia (18/05) viu a abertura de sessões oficiais no Plenário e nos Comitês A e B. Enquanto isso, evento paralelo se dedicava ao tema “Political commitment and accomplishment on neglected tropical diseases”.

Na ocasião, Tim Evans, representante do Banco Mundial, destacou a importância de programas de doação de medicamentos para os países mais afetados por doenças negligenciadas.

Sobre este ponto, a UAEM destaca a importância de mudanças estruturais no sistema de pesquisa e desenvolvimento (p&d) que torna negligenciadas estas doenças. Os atuais mecanismos de incentivo à p&d privilegiam doenças que afetam populações de alta renda, bem como tratamentos que se prolonguem no tempo. Isto é consequência, em parte, da estrutura imposta pelo acordo TRIPS, que é centrada na concessão de patentes como mecanismo de apropriabilidade. Um sistema que valorize meios alternativos de financiamento de p&d na área de saúde, conforme proposto pelo CEWG, incorporado ao GSPoA e destacado reiteradamente por organizações da sociedade civil, é o meio mais eficaz de transpor a barreira dos incentivos econômicos à inovação relevante e acessível na área da saúde.

“We see the need of changing the existing mechanism of pricing of medicines and products. And we believe that achieving consensus on this issue is reasonable. Patent protection should not compromise the fundamental principle of healthcare. Current prices of medicines do not reflect the actual costs of R&D” – Polish delegation, in Plenary, 68th WHA, 19/05/15

No segundo dia, 19/05, a discussão no Comitê A da AMS girou em torno de doenças transmissíveis. Os Estados-Membros apresentaram seus posicionamentos a respeito do Plano Estratégico Global para o combate à Malaria, além de dados sobre incidência e controle da doença em seus respectivos territórios. Muitos destacaram a importância de desenvolver novos tratamentos e ferramentas para abordar o problema.

A resolução que aprovaria a Estratégia Global para a malária, adotada apenas no dia 20/05 em razão de um atraso com a tradução do documento para o francês, está assentada sobre três pilares:

acesso universal a prevenção, diagnóstico e tratamento da malária; aceleração de esforços no sentido de eliminação da malária; e centralidade da vigilância da malária como intervenção-chave.

E dois elementos de suporte:

estimular a inovação e expandir a pesquisa; e fortalecer um ambiente conducente [ao cumprimento da Estratégia Global]

A UAEM destaca mais uma vez que a única forma de atingir um sistema de inovação e pesquisa sustentável é desvencilhar os incentivos para pesquisa e desenvolvimento da expectativa de retorno financeiro baseado em vendas. Isto se concretiza por meio do mecanismo de de-linkage, bem como pela regulação de comportamentos abusivos da indústria farmacêutica e pelo investimento em pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas para a saúde pública cujos resultados sejam acessíveis às populações que mais necessitem.

A única intervenção de organizações não-governamentais foi realizada pelo Medicines for Malaria Ventures (MMV), disponível online.

Após a malária, os Estados-Membros começaram a discutir o relatório do Secretariado sobre controle e prevenção da dengue. Neste ponto, os delegados ressaltaram que a transmissão torna-se cada vez mais um problema transfronteiriço e que novas vacinas são necessárias para abordar eficientemente o problema. O Brasil foi particularmente enfático em tratar dos investimentos nacionais para o desenvolvimento de vacinas — atualmente há duas possíveis vacinas para a dengue em desenvolvimento, uma pela Fiocruz e outra pelo Instituto Butantan — e destacou que a cooperação internacional é um fator chave no combate à doença.

A UAEM reconhece e elogia os investimentos do Brasil em encontrar uma vacina para a dengue. As pesquisas atualmente em curso se desenvolvem em institutos públicos, financiadas por investimentos públicos, e têm grande potencial de impacto social. Especialmente em um contexto endêmico de dengue, com grandes e recorrentes crises como a que atualmente o estado de São Paulo enfrenta, é necessário que os resultados desses esforços de pesquisa sejam disponibilizados pelos sistemas de saúde de forma universal e acessível.

A UAEM apresentou intervenção ao Comitê destacando a importância de mecanismos alternativos de incentivo e financiamento de p&d, especialmente para doenças negligenciadas, que integrem princípios de inovação de padrão aberto.

O Plano de Ação Global para Vacinas também foi discutido a partir deste dia e até o dia 23/05. Os Estados-Membros concordaram com uma resolução sobre vacinação que reconhece a importância da imunização para sistemas de saúde e o perigo que altos preços para novas vacinas e desabastecimento de vacinas existentes representa. Especialmente para países em desenvolvimento, a concorrência é notada como elemento de controle de preços, bem como a compra conjunta de vacinas em grandes blocos regionais e interregionais; o estabelecimento de capacidade de produção local é apontado como prioridade para os países. A resolução vem em resposta ao relatório apresentado à AMS sobre resultados preliminares do Plano de Ação, que apontam implementação débil pelos Estados-Membros.

O dia terminou com uma grande mesa composta por representantes dos Ministérios da Saúde de vários países sobre resistência anti-microbiana. Estiveram focados em mecanismos de vigilância da resistência, regulação do uso de antibióticos e incentivos a seu uso racional, e a necessidade de diagnósticos e tratamentos rápidos.

A UAEM destaca que o combate à resistência antimicrobiana passa necessariamente por uma reformulação da cadeia de p&d, em especial à forma como a propriedade intelectual é tratada e aos mecanismos de financiamento de pesquisa. AMR é um exemplo perfeito de incentivos absolutamente desfavoráveis à pesquisa em condições de mercado, razão pela qual o pipeline de novos antibióticos está quase seca. O Plano de Ação Global incorpora menção à necessidade de de-linkage. A UAEM reforça que este deve ser um mecanismo fundacional nos esforços de p&d que pretendam abordar o problema da AMR, sob risco de que novos antimicrobianos se sujeitem à mesma lógica de mercado que criou a crise atual.

Durante o evento relativo à AMR, muitas organizações puderam comentar e perguntar aos delegados presentes. Apesar de muito relevantes, estas intervenções não incorporaram o questionamento que, na visão da UAEM, é fundamental para a mudança sistêmica. Por isso, reafirmamos aqui nossa pergunta: “Ouvimos os Estados-Membros mencionarem a necessidade de maior engajamento em abordagens multi-setoriais que promovam mudanças comportamentais e fortaleçam prevenção e controle da AMR. Os Estados estarão igualmente investidos, especialmente no âmbito de seus planos nacionais de ação, em mirarem além do sistema falido de p&d que foi o produtor deste problema e adotar mecanismos de de-linkage direcionados contra AMR?”.

A resolução que adota o Plano de Ação Global contra AMR urge aos Estados-Membros que apresentem seus planos nacionais de ação contra AMR em dois anos, na 70ª AMS. A resolução foi adotada em sessão do dia 25/05, e o Reino Unido declarou dedicar 3 milhões de libras à OMS para auxiliar os países em desenvolvimento na composição de seus planos nacionais.

Ainda sobre o tema, no dia seguinte (20/05), em evento paralelo oferecido pelo MSF e Knowledge Ecology International (KEI) sobre de-linkage, Dr. Francis Moussy expôs um exemplo de como o mecanismo foi adotado no Reino Unido. Uma premiação de 10 milhões de libras é atualmente oferecida no “Longitude Prize”, focado no desenvolvimento de testes que facilitem decisões de uso racional de antibióticos.

A quarta-feira, dia 20/05, esteve dedicada a dar continuidade a muitos dos temas iniciados anteriormente. Também neste dia foi à pauta pela primeira vez o Marco de Engajamento com Atores Não-Estatais.

A UAEM posicionou-se, juntamente a mais de 40 organizações da sociedade civil, contra a influência corporativa nos mecanismos decisórios da OMS. A carta aberta ressalta os desafios de administrar de forma isenta uma organização financiada por entes privados sediados em países ricos que direcionam e vinculam suas doações; e um volume de contribuições obrigatórias e desvinculadas pelos Estados-Membros de muito menor volume.

Ao fim do dia, uma mesa com especialistas no Club Suisse de la Press tratou dos impactos que acordos de livre comércio podem ter sobre o direito à saúde. Carlos Correa, do South Center, destacou como, 20 anos após a assinatura do acordo TRIPS, os resultados em termos de inovação são decepcionantes. Entre inovação em declínio e um aumento em medicamentos “me-too” – mais de 80% de todos os novos medicamentos aprovados não apresentam melhoria em relação a medicamentos já existentes –, Correa cita F. N. Scherer ao afirmar que sem a proteção patentária, o bem-estar em escala global estaria em melhor estado.

Em seguida, Patrick Durisch da Berne Declaration expôs as razões pelas quais Países Menos Desenvolvidos deveriam receber uma extensão indefinida da “pharmaceuticals exemption” iniciada pela Declaração de Doha. Depois disto, Kajal Bhardwaj fez uma ampla revisão de acordos bilaterais e multilaterais atualmente em negociação e seus impactos sobre o acesso a tecnologias de saúde, particularmente as provisões de exclusividade de dados de pesquisa do TPP; e como a falta de transparência em suas negociações agrava a ameaça a direitos humanos.

A UAEM destaca o papel do ativismo realizado pela sociedade civil contra acordos negociados a portas fechadas que têm potenciais impactos globais na realização de direitos. Particularmente no caso da Trans-Pacific Partnership, a UAEM aliou-se a outras organizações na América do Norte para trazer à tona os riscos representados pelo acordo e interromper sua negociação.

Em 21 de maio, o principal ponto de debate foi o GSPoA, discutido em uma mesa com representantes de EM e organizações durante um evento paralelo. Na ocasião, a África do Sul anunciou uma contribuição de 1 milhão de dólares ao programa e a França, de 2 milhões de euros.

No entanto, mesmo com as contribuições atuais – antes da 68ª AMS, Noruega e Suíça foram os primeiros a anunciar contribuições, seguidas por Brasil e Índia –, ainda faltam 80 milhões de dólares para a implementação do plano completo.

Levada ao Comitê B nos dias seguintes, a Global Strategy and Plan of Action (GSPoA) teve os prazos estendidos para seu processo de avaliação, por sugestão do Secretariado e seguindo os termos de resolução proposta por Bolívia, Brasil, Equador, Índia e África do Sul. Este processo de avaliação envolve tanto uma avaliação completa dos resultados alcançados, que deverá ser apresentada à AMS em 2018, e uma reestruturação geral do programa, para 2022. Como suscitado pela delegação Brasileira, a resolução valoriza “maior envolvimento de Estados-Membros em ambos os processos”. Isto seria implementado, em particular, no programa geral de reestruturação, que será conduzido por um grupo de 18 especialistas nomeados por Estados-Membros. Isto representa um importante passo para garantir que os resultados deste processo cubram os interesses de países em desenvolvimento, e foi fonte de acalorados debates nas Comissões e fora delas – especialmente com a resistência declarada pelos Estados Unidos à resolução proposta.

 

 

A sociedade civil participou com foco no perigo representado por acordos de livre comércio negociados por trás de portas fechadas. ONGs como MMI, MSF e WMA, além da UAEM e HAI, defenderam um GSPoA forte que desconstrua estes acordos quando suas consequências forem prejudiciais à saúde pública.

UAEM’s very own Diane Singhroy of McGill University holding an intervention at the #WHA68 on the Global strategy and plan of action on public health, innovation, and intellectual property #GSPoA Universities Allied for Essential Medicines (UAEM) Posted by Varoon Mathur on Friday, May 22, 2015

Acesso a novos medicamentos, e como sistemas de saúde pública seriam capazes de custeá-los, foi tratado em um outro evento paralelo. O foco esteve nas falhas no sistema de p&d atual e na forma como lidar com elas. Transparência nos custos e preços foi citado como uma preocupação central na negociação de compras de medicamentos pelos países, que deveriam promover a negociação em bloco para obterem melhores preços. A Diretora-Geral Margaret Chan esteve presente e citou que 40-50% de recursos poderiam ser economizados se sistemas de saúde pública fossem administrados corretamente. Finalmente, delinkage foi mais uma vez descrito como o meio para alcançar um sistema mais justo e equilibrado de p&d, e os palestrantes destacaram, em resposta a pergunta feita pela UAEM, a importância do licenciamento para o acesso global em reduzir preços de medicamentos.

 

 

A UAEM reconhece os avanços realizados nesta 68ª Assembleia Mundial da Saúde, especialmente por meio da robusta ação por países em desenvolvimento em prol da saúde global. A extensão dos prazos do GSPoA e as contribuições anunciadas para o Global Health Observatory e os Demonstration Projects, assim como os Planos de Ação adotados para Vacinas e AMR, representam passos significativos adiante. No entanto, destacamos que uma convenção global sobre p&d que inclua os princípios propostos pelo relatório do CEWG – de-linkage, licenciamento para o acesso global e abertura – é fundamental para verdadeiramente solucionar a crise de acesso e inovação que o modelo atual de p&d criou.

 

Em inglês:

Member-States (MS) gathered between the 18th and 26th of May 2015 for the World Health Assembly (WHA). This is a report of some highlights of the forum, in Universities Allied for Essential Medicines (UAEM)’s view. The group of university students that went to the Assembly this year was composed of UAEM members from Europe to the US, from Nepal to Brazil.

After a slow beginning, in which many decisions were postponed to subsequent days and sessions, the WHA picked up its pace along the week. The most controversial themes were the follow-up on the Consultative Expert Working Group on Research and Development: Financing and Coordination (CEWG) and the Global Strategy and Plan of Action on Public Health, Innovation and Intellectual Property (GSPoA), both discussed on official Committees on Friday (22/05) and the following days.

Countries from the whole economic spectrum also presented their concerns with the World Health Organization’s (WHO) preparedness in dealing with crises such as ebola in 2014, and with the growing global threat of antimicrobial resistance (AMR).

Parallel sessions and events organized by the civil society significantly added to debate. From compulsory licensing and de-linkage, to AMR and ebola, these events provided an area for freer discussion between non-governmental organizations (NGOs) and country delegates.

The first day (18/05) saw the opening of official Committees A and B. A parallel side-event was dedicated to “Political commitment and accomplishment on neglected diseases”.

On the event, Tim Evans, speaking in name of the World Bank, highlighted the importance of medicines donation programs for the countries most affected by neglected diseases.

On this point, UAEM stresses that structural transformations to the research and development (R&D) system that made these diseases neglected in the first place are needed. The current incentive mechanisms for R&D gives more emphasis to diseases that mainly affect high income populations, as well as treatments that stretch in time. This is a consequence, in part, of the structure imposed by the TRIPS agreement, which is centered on patents as means of appropriability. A system that values alternative financing mechanisms for health R&D, as proposed by the CEWG, encompassed by the GSPoA and repeatedly highlighted by civil society organizations, is the most effective means of overcoming the economic incentives barrier to relevant innovation in health.

“We see the need of changing the existing mechanism of pricing of medicines and products. And we believe that achieving consensus on this issue is reasonable. Patent protection should not compromise the fundamental principle of healthcare. Current prices of medicines do not reflect the actual costs of R&D” – Polish delegation, in Plenary, 68th WHA, 19/05/15

On the second day, 19/05, the debate in Committee A was centered on communicable diseases. The Member-States presented their positions on the Global Technical Strategy Plan on Malaria, besides data on national incidence and control of the disease. Many focused on the importance of developing new treatments and tools to address this issue.

The resolution that would approve the Global Strategy, adopted only on the 20th due to delay in the French translation of the document, is based on three pillars:

ensuring universal access to malaria prevention, diagnosis and treatment; accelerating efforts towards elimination and attainment of malaria-free status; and transforming malaria surveillance into a core intervention;

And three supporting elements:

harnessing innovation and expanding research; and strengthening the enabling environment;

UAEM once more states that the only way to achieve a sustainable innovation and research system is to uncouple incentives to R&D and sales-based profit expectations. This is implemented through de-linkage mechanisms, as well as regulation of abusive behavior by the pharmaceutical industry; and investment in r&d in strategic areas for public health.

The only intervention by NGOs was made by the Medicines for Malaria Ventures (MMV), available online.

After malaria, Member-States took note of the Secretariat report on dengue prevention and control. Delegates stressed the trans-border nature of the issue and that new vaccines are necessary to address it. Brazil gave particular emphasis to national investments on developing new vaccines — with two new vaccines currently being researched in Brazilian public institutions — and put international cooperation as a key factor in combating the disease.

UAEM recognizes and supports Brazilian efforts in finding dengue vaccines. The current research is conducted by public research institutions, financed by public funds, and may potentially have great social impact. Therefore, especially in endemic dengue contexts and recent crises such as the one the Brazilian city of São Paulo is going through right now, it is imperative that the results of these efforts be accessible universally and affordably through public health systems.

UAEM intervened on the subject before the Committee highlighting the need for alternative financing mechanisms for R&D, particularly for neglected diseases, that include open access innovation provisions.

The Global Vaccine Action Plan was also debated, from this day until the 23rd. MS agreed on a resolution on vaccination that acknowledges immunization’s central role for public health systems; and the threat that high prices of new vaccines and shortages of existing ones pose. Especially for developing countries, competition is noted as a means of price control, as well as pooled procurement in regional and inter-regional blocs; and local production capability is pointed as a priority. This resolution comes in response to the report presented to the WHA on the preliminary results of the Action Plan, that point less-than-optimal implementation by MS.

The day ended with a large table of representatives from Health Ministries on AMR. The main focus were surveillance, regulation of use and the need for quick diagnostics and treatments.

UAEM states that combating antimicrobial resistance (AMR) necessarily integrates reformulating the R&D chain–especially in the way intellectual property is managed and in R&D financing models. AMR is a perfect example of absolutely unfavorable incentives to research under market conditions, which is why the pipeline for antibiotics is currently virtually dry. The Global Action Plan mentions the need for de-linkage. UAEM stresses that this should be a foundational concept in R&D efforts aimed at dealing with AMR, lest the new antimicrobials developed be subject to the same market mechanisms that produced the current crisis.

During the side-event, many organizations were able to comment and ask questions to the delegates of Member-states. However relevant, these interventions did not incorporate what, for UAEM, is a fundamental question in terms of systemic change. Thus, we reaffirm: “We’ve heard Member-states mention the need for more action towards multi-sectoral approaches that promote behavioral changes and strengthen prevention and control of AMR. Are the States equally invested, especially within their national action plans, in looking beyond the failed R&D model that produced this issue and adopting de-linkage mechanisms directed against AMR?”.

The resolution that adopts the Global Action Plan on AMR urges MS to present their national action plans in two years, on the 70th WHA. The resolution was adopted in session on the 25th, and the United Kingdom dedicated 3 million pounds to the WHO to aid developing countries in setting up their national plans.

Still on this subject, on the 25th, on a side-event organized by MSF and KEI on de-linkage, Dr. Francis Moussy presented how the mechanism was adopted by the UK. A prize of 10 million pounds is currently being offered on the “Longitude Prize”, focused on the development of tests to facilitate decisions on rational use of antibiotics.

Wednesday, 20th, was dedicated to continuing the discussion of many topics  initiated in the previous days. On this day, the Framework of Engagement with Non-State Actors was also brought up for the first time.

UAEM set its position, along with more than 40 civil society organizations, against corporate influence on the WHO’s decision-making mechanisms. The open letter recognizes the difficulties of being unbiased when managing an organization mainly financed by private entities based in rich countries that direct and vinculate their donations; while the volume of mandatory, non-vinculated contributions by Member-States is much more feeble.

By the end of the day, a table with specialists on the Club Suisse de la Press tackled the issue of free trade agreements and their impact on health. Carlos Correa, from the South Center, demonstrated how after 20 years of the TRIPS agreement, the results in terms of innovation are disappointing. Among declining innovation and a surge in “me-too” drugs – over 80% of all new drugs approved are no better than already existing drugs -, Correa cites F. M. Scherer stating that without patent protection, global welfare would be better served.

Following him, Patrick Durisch of the Berne Declaration exposed the reasons why Least Developed Countries should be allowed an indefinite extension of the “pharmaceuticals exemption” initiated by the Doha Declaration. After that, Kajal Bhardwaj made a wide revision of current multilateral and bilateral trade agreements being negotiated and their impact on access to health technologies, particularly the TPP’s data exclusivity provisions; and how the lack of transparency in their negotiations aggravates their threat to human rights.

UAEM highlights the role of activism in countering closed-doors negotiations of trade agreements that potentially affect rights globally. Particularly in the case of the TPP, UAEM, partnered up with other civil society organizations, has had a significant role in making public its risks and interrupting its negotiations.

On May the 21st, the main point of debate was the GSPoA, discussed on a table MS representatives and other organizations during a side-event. During the occasion, South Africa announced a contribution of 1 million dollars to the program’s budget and France dedicated 2 million euros, as well.

However, even with current contributions – previously to the 68th WHA, Norway and Switzerland were the first to announce contributions, followed by Brazil and then India – there still remains an 80 million dollars gap to the implementation of the whole plan.

Brought to Committee B on the following days, the GSPoA had the deadlines for its evaluation process extended, by suggestion of the Secretariat and under the terms of draft resolution proposed by Bolivia, Brazil, Ecuador, India and South Africa. This evaluation process involves both a comprehensive evaluation of results so far, which shall be delivered to the WHA in 2018, and an overall programme review, due 2022.

As noted by the delegation of Brazil, the resolution values “greater involvement of Member States in both processes”. This would be implemented, in particular, in the overall programme review, which shall be conducted by a group of 18 experts nominated by MS. This represents an important step in guaranteeing that the outcomes of this process cover the interests of developing States, and was source of heated debate within and without Committee sessions – especially with the declared resistance of the US to the proposed resolution.

The civil society participated focusing on the looming danger of free-trade agreements negotiated behind closed doors. NGOs such as MMI, MSF and WMA, besides UAEM and HAI, called for a strong GSPoA to undermine such agreements when their consequences would be detrimental to public health.

UAEM’s very own Diane Singhroy of McGill University holding an intervention at the #WHA68 on the Global strategy and plan of action on public health, innovation, and intellectual property #GSPoA Universities Allied for Essential Medicines (UAEM) Posted by Varoon Mathur on Friday, May 22, 2015

Access to new medicines, and how health systems could be able to afford them, was also brought up on a different side-event. This brought focus to many flaws in the current r&d system, and the way forward to approach them. Transparency in costs and pricing was cited as a central issue in drug procurement by countries, which should seek procurement in bloc so as to be able to better negotiate prices. DG Margaret Chan was present, and stated that 40-50% of resources could be saved if health care systems were managed properly. Finally, delinkage was once more described as a means to reach a more just and balanced R&D system, and speakers highlighted, in response to a question by UAEM, the importance of global access licensing in lowering the prices of medicines.

 

 

UAEM recognizes the advances made in this 68th World Health Assembly, especially through the strong action by developing countries for global health. The extended revision period for the GSPoA and the contributions announced for the Global Health Observatory and Demonstration Projects, as well the Action Plans adopted for Vaccines and AMR, represent significant steps forward. However, we highlight that a global convention on r&d that includes principles put forth by the CEWG report – de-linkage, global access licensing and openness – is fundamental to truly addressing the access and innovation crisis that the current pharmaceutical r&d model has created.

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  1. Internacional | left a comment on 16/05/2016 at 14:01

    […] Research and Development: Financing and Coordination (CEWG). A reunião havia sido proposta em 2015 durante a 68ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS) e teria o propósito de avaliar o relatório de implementação das medidas recomendadas pelo […]

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