[:pt]Zika vírus[:]

[:pt]Notícias de 30/04 a 15/05:

Inovação tecnológica: Desenvolvimento de medicamentos e vacinas contra Zika

A Zika começou a circular no Brasil em 2014 e teve seus primeiros registros no ministério da Saúde em maio de 2015. Apesar de inicialmente ter sido conhecida como uma doença branda que causa sintomas como erupção cutânea, fadiga, dores nas articulações, e conjuntivite e febre baixa, ela tinha evolução benigna. Posteriormente a zika foi associada aos casos de microcefalia em fetos de grávidas e à Síndrome de Guillain-Barré em adultos infectadas, tendo sido comprovada esta associação. Assim, o desenvolvimento de testes diagnósticos e medicamentos para o combate dessa doença se tornou um dos principais focos do Ministério da Saúde.

Entretanto, o desenvolvimento de uma vacina anti-Zika envolve a escolha de uma tecnologia adequada, que pode ocorrer por inativação ou atenuação do vírus; e por genômica ou proteômica ou até mesmo vacinologia reversa, que são tecnologias mais avançadas que envolvem descobrir regiões do gene ou proteínas mais reativas da Zika que podem levar a uma resposta do sistema imune mais completa. Envolve ainda a escolha de adjuvantes vacinais, que têm o propósito de amplificar a resposta de proteção da vacina, ao estimular outros componentes do sistema imunológico, o desenvolvimento de modelos experimentais para persistência e resistência da infecção, a realização de ensaios pré-clínicos e clínicos de fase um, dois e três para comprovação da eficácia da vacina. Dessa forma, o desenvolvimento de uma vacina contra o Zika deve demorar pelo menos cinco anos, de acordo com vice-diretor do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, José Cerbino Neto.

Esta previsão ainda é otimista e leva em consideração que até então a Zika só tem um sorotipo, ao contrário da Dengue, que teve a primeira vacina desenvolvida pela Sanofi Pasteur após 20 anos de desenvolvimento. Há três organizações públicas nessa corrida tecnológica: Butantan, Fiocruz e o Instituto Evandro Chagas. Este último, em parceria com a Universidade do Texas, tem a previsão de iniciar os testes em animais na virada do ano. Além disso, há uma outra parceria entre pesquisadores brasileiros, ingleses e norte-americanos em um projeto que tem como objetivo mapear a resposta imunológica humana contra o vírus zika. Tais resultados auxiliarão o desenvolvimento de uma futura vacina.

No Brasil, o trabalho é apoiado pela Fapesp e coordenado pelo professor João Santana da Silva, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Os parceiros internacionais são Daniel Altmann, do Imperial College London (Reino Unido), e William Kwok, do Benaroya Research Institute (Estados Unidos). A equipe inglesa ficará responsável pela seleção e o desenho de algumas dezenas de peptídeos presentes no envelope viral que serão usados nos ensaios. Já a equipe estadunidense otimizará os testes in vitro ao pegar os peptídios selecionados e transformá-los em tetrâmeros. O Brasil ficará responsável por realizar testes in vitro com células humanas, e os peptídeos que se mostrarem capazes de passar nos testes de indução da resposta imune serão testados em camundongos transgênicos capazes de expressar proteínas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC, na sigla em inglês) humano.

Como a vacina contra o vírus da zika deve demorar para surgir, cientistas e companhias farmacêuticas estão apostando primeiro no desenvolvimento de drogas para tentar proteger as pessoas já afetadas pela epidemia da Zika. Um atalho que pode ser utilizado é o uso de moléculas já conhecidas, como a associação de antirretrovirais e neuroprotetores (ex. medicamentos para o alzheimer). A cloroquina, por exemplo,  já é usada contra a malária e também pode ser eficaz para blindar o cérebro de fetos contra a infecção pelo vírus da zika. Estudos em laboratório mostraram que a cloroquina protegeu neurosferas, que são estruturas celulares que reproduzem o cérebro em formação, em até 95%. O trabalho foi feito por pesquisadores dos Institutos de Biologia e de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or, os quais planejam avançar o projeto para realizar testes em minicérebros (estruturas mais complexas que simulam cérebros de fetos de três meses) e testes clínicos humanos. A grande vantagem deste medicamento é que, por ser uma droga amplamente usada, já é se sabe que ela não é contraindicada para grávidas.

Conforme citado anteriormente em nosso boletim, um bom caminho para a inovação é encontrar novos usos para medicamentos já registrados, como o caso da cloroquina. Realmente, a busca de uma nova indicação de um medicamento é mais rápida que o desenvolvimento de uma nova entidade molecular. Entretanto, o desenvolvimento de vacinas não deve ser subestimado, uma vez que é melhor prevenir uma doença do que tratar os já infectados. Ambas as alternativas são importantes e devem ser oferecidas ao público de forma acessível. Ainda bem que nas duas pontas de desenvolvimento, laboratórios e instituições públicas brasileiras estão envolvidas e são participativas.

Teste rápido e teste molecular para identificação do vírus Zika

Os vírus Zika, Dengue e Chikungunya apresentam sintomas semelhantes e o diagnóstico clínico deles é muito sutil e difícil de fazer. Os exames laboratoriais moleculares detectam a presença de zika pelo sequenciamento genético do vírus (exame de RNA PCR). Este exame consiste em detectar a presença do ácido ribonucleico (RNA), responsável pela síntese de proteínas da célula. É feito em duas etapas: na primeira, identifica a presença de um vírus; na segunda, faz o sequenciamento genético para identificar qual dos agentes infectou o organismo.

Entretanto este exame só detecta o vírus nos primeiros 5 dias da infecção só tem a eficácia de detectar o vírus nos 5 primeiros dias em que os sintomas estão aparentes. Após esse período, o corpo produz  anticorpos anti-Zika, assim diminuindo a presença do vírus livre, reduzindo a eficácia do exame. Dessa forma, para detectar o vírus após o período sintomático, seria necessário um exame de detecção de anticorpos.

Em fevereiro a ANVISA aprovou o registro de 2 testes para a detecção de IgM (imunoglobulina M) e IgG (imunoglobulina G) anti-Zika, pertencentes à empresa alemã Euroimmun. Estes testes através de imunofluorescência detectam não só a presença do vírus da Zika, mas também da Dengue e da Chikungunya. Entretanto, estes testes demoram 10 dias para liberar o resultado e têm um custo alto, de R$800,00 a R$2000,00, pois os reagentes são importados.

Empresas brasileiras entraram nessa corrida para desenvolver um teste diagnóstico que fosse mais barato e desse um resultado mais rápido. Entre elas podemos destacar a empresa OrangeLife, que desenvolveu um teste diagnóstico para as 3 doenças transmitidas pelo Aedes, que oferece o diagnóstico em 20 minutos a custo de R$25,00 para o consumidor final. O aparelho chamado de Smart Reader já possui aprovação da ANVISA e será distribuído para farmácias e hospitais.

Outra instituição brasileira que também desenvolveu um novo teste é Bio-Manguinhos, a unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) responsável pelo desenvolvimento e produção de vacinas, diagnósticos e produtos biofarmacêuticos. A Bio-Manguinhos, em parceria com a Chembio Diagnostics, desenvolveu um kit diagnóstico para detectar também anticorpos para Zika, Dengue e chikungunya. Atualmente o kit está em fase de aprovação da ANVISA e o custo dele está previsto em até R$80,00 por unidade e oferece o resultado em 3 horas.

Os exames laboratoriais e os kits diagnósticos são complementares ao diagnóstico clínico da doença. Dessa forma, a realização de um exame molecular não anula a necessidade de um exame de fluorescência. Ambos são úteis para que ocorra o diagnóstico preciso e um tratamento específico para cada doença. Apesar do Brasil estar liderando a pesquisa mundial sobre o vírus Zika, não podemos esquecer que esta e as outras doenças transmitidas pelo mosquito têm uma base forte na falta de saneamento básico e de cuidados relacionados à saúde pública. Então, a melhor forma de combater a doença é combater o mosquito e instruir a população.

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